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Dívidas do falecido: como funciona a divisão de bens nesses casos?

Quando uma pessoa falece, seus familiares precisam lidar não apenas com a divisão dos bens deixados, mas também com eventuais dívidas existentes. Essa situação costuma gerar dúvidas, especialmente sobre a possibilidade de os herdeiros serem obrigados a pagar obrigações que pertenciam ao falecido.


A legislação brasileira estabelece regras específicas para determinar como as dívidas são tratadas durante o inventário. Em linhas gerais, a responsabilidade está relacionada ao patrimônio deixado pela pessoa falecida, e não simplesmente ao patrimônio pessoal dos herdeiros.


O que acontece com as dívidas após o falecimento?

O falecimento não faz com que as dívidas desapareçam automaticamente. As obrigações existentes precisam ser identificadas durante o inventário, juntamente com os bens e demais direitos.


O patrimônio deixado pelo falecido é utilizado para responder pelas dívidas existentes, observadas as regras legais aplicáveis a cada situação. Por isso, antes de realizar a partilha, é necessário levantar tanto o ativo quanto o passivo da herança.


Esse levantamento é importante para determinar qual é o patrimônio efetivamente disponível para ser dividido entre os sucessores.


Os herdeiros precisam pagar as dívidas com dinheiro próprio?

Em regra, o herdeiro não responde por encargos superiores ao valor da herança recebida. Isso significa que a existência de uma dívida do falecido não transforma automaticamente o herdeiro em devedor pessoal de todo o valor.


Imagine, por exemplo, que uma pessoa deixe patrimônio avaliado em R$ 300 mil e dívidas de R$ 100 mil. A apuração dessas obrigações ocorrerá dentro do inventário, e a herança disponível para partilha deverá considerar o passivo existente.


Se as dívidas forem superiores ao patrimônio deixado, a situação deve ser analisada conforme as regras sucessórias e a natureza de cada obrigação. O simples fato de alguém ser herdeiro não significa que deverá utilizar seus próprios recursos para quitar um débito que ultrapasse o patrimônio transmitido.


Como funciona a divisão dos bens?

Antes da partilha, é necessário identificar os bens, direitos e obrigações que compõem o patrimônio deixado pelo falecido. As dívidas que possam ser cobradas da herança devem ser consideradas na apuração do patrimônio líquido.


Somente depois dessa análise será possível determinar o que efetivamente poderá ser transmitido aos herdeiros.

Esse processo é uma das funções do inventário. Por meio dele, são organizadas as informações patrimoniais e definidas as medidas necessárias para regularizar a sucessão.


E quando existe um imóvel financiado?

Imóveis financiados merecem atenção especial porque a existência do financiamento não significa necessariamente que a dívida será simplesmente eliminada com o falecimento.

É necessário verificar o contrato, as garantias existentes e a eventual contratação de seguro prestamista ou outra modalidade de cobertura vinculada ao financiamento. Dependendo das condições, o seguro poderá quitar total ou parcialmente o saldo devedor.


Por isso, documentos bancários e contratuais devem ser analisados durante o inventário antes de se concluir como ficará determinado bem.


Dívidas tributárias também entram no inventário?

Obrigações tributárias podem igualmente repercutir sobre o espólio e a sucessão. Entretanto, a forma de cobrança e a responsabilidade envolvida dependem da natureza do tributo e das circunstâncias do caso.


Além disso, a própria transmissão dos bens aos herdeiros pode gerar obrigações tributárias, como o imposto incidente sobre a transmissão causa mortis. Por isso, é importante considerar a legislação tributária aplicável ao estado e ao município envolvidos na sucessão.


É importante levantar todas as dívidas

Um dos principais cuidados durante o inventário é evitar que obrigações sejam ignoradas. Contratos, financiamentos, empréstimos, débitos tributários, despesas condominiais e outras responsabilidades devem ser investigados.


Também é recomendável reunir documentos que comprovem os valores cobrados e verificar se a obrigação realmente existia e era exigível na data do falecimento.

Uma análise cuidadosa pode evitar que a família faça uma partilha inadequada ou enfrente discussões posteriores com credores.


A orientação jurídica ajuda a proteger os herdeiros

A existência de dívidas não impede necessariamente a realização do inventário ou a transmissão dos bens. O que muda é a necessidade de considerar corretamente o patrimônio e as obrigações deixadas pelo falecido.


Como cada dívida possui características próprias, a análise deve levar em conta contratos, garantias, seguros, documentos patrimoniais e regras sucessórias.


O acompanhamento de um advogado durante o inventário pode ajudar a identificar o passivo da herança, verificar os limites da responsabilidade dos herdeiros e conduzir a partilha de maneira juridicamente mais segura.


Há mais de duas décadas, o JPO Advogados atua de forma consultiva, preventiva e contenciosa para proteger o patrimônio, os negócios e os direitos de nossos clientes em todo o Brasil. Contamos com uma equipe altamente qualificada para entregar soluções ágeis, seguras e personalizadas para o seu caso.


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